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No seu boletim Vigil’Anses de dezembro, a Anses alerta sobre determinados séruns destinados a estimular o crescimento das pestanas. O motivo é a presença de derivados das prostaglandinas, substâncias que podem provocar o escurecimento irreversível da íris e outros efeitos adversos a nível ocular.
A advertência parte de um caso concreto, notificado à Anses em fevereiro de 2025. Após cinco meses de uso diário de um sérum para pestanas, aplicado todas as noites na base das pestanas superiores, uma mulher jovem notou que o seu olho esquerdo havia escurecido, tornando-se “claramente mais escuro do que o direito”. Ao mesmo tempo, a gordura ao redor da órbita de ambos os olhos foi diminuindo progressivamente, acentuando a aparência das olheiras.
"A avaliação da imputabilidade — ou seja, a probabilidade de que exista uma relação causal entre o uso do produto e o efeito observado — foi considerada plausível de acordo com os critérios do método utilizado em cosmetovigilância", explica a Agência Nacional de Segurança Sanitária no seu último boletim.
A investigação sugere que o sérum continha isopropyl cloprostenate, um derivado das prostaglandinas susceptível de ter causado estes efeitos. A cronologia é compatível, a sintomatologia ocular parece “indicativa de uma relação” e não foi identificada nenhuma outra causa, sublinha a Anses.
As prostaglandinas e seus derivados são hormonas utilizadas em oftalmologia, especialmente em determinados colírios para o tratamento do glaucoma. De acordo com a agência, os seus efeitos secundários estão bem documentados: crescimento e espessamento das pestanas, alteração permanente da cor da íris para tonalidades mais escuras, irritações crónicas, comichão e perda da gordura periocular, afetando cerca de 10% dos pacientes tratados.
Rumo a uma regulamentação europeia?
No campo médico, estes efeitos são conhecidos e considerados aceitáveis em relação ao benefício terapêutico. Eles estão mencionados nos prospectos e explicados aos pacientes no momento da prescrição. No cosmético, no entanto, os derivados das prostaglandinas expõem os utilizadores aos mesmos efeitos adversos, mas sem que esses riscos sejam indicados no rótulo ou comunicados adequadamente aos consumidores, alerta a Anses.
Nos Estados Unidos, um produto cosmético que contém prostaglandinas e é destinado a estimular o crescimento das pestanas é classificado como medicamento e deve ser aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), acrescenta a agência de saúde. Na Europa, também se têm acumulado alertas. Em 2018, o Instituto Federal Alemão de Avaliação de Riscos (BfR) informou à Comissão Europeia que esses derivados representavam um risco para a saúde, mesmo nas concentrações usadas em cosméticos.
Por fim, em junho de 2025, o Comité Científico Europeu para a Segurança dos Consumidores (SCCS) concluiu, num parecer preliminar, que nenhum dos três análogos de prostaglandinas avaliados poderia ser considerado seguro para uso cosmético destinado a favorecer o crescimento das pestanas e sobrancelhas. Este parecer, submetido a consulta pública até ao final de agosto, inclui, entre outros elementos, o caso comunicado pela Anses. As conclusões definitivas da Comissão Europeia ainda estão pendentes.
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